Araranguá também resiste às reformas de Temer

18121905_1430169930337594_2916423557935412301_opor Rodrigo Lima*

O Brasil encontra-se diante uma das maiores crises de sua história, com graves desdobramentos na economia, na política e na sociedade. O período de recessão econômica, que já dura dois anos, e que está longe de ser resolvida, afeta principalmente e de forma direta os setores mais pobres e a classe trabalhadora. A miséria e o desemprego vem crescendo de maneira alarmante. Para se ter uma ideia, o país conta hoje com mais de 14 milhões de desempregados. Entre os jovens esse quadro é ainda mais dramático, 25% dos jovens entre 18 e 24 anos não conseguem emprego.

Como saída para a crise o governo ilegítimo de Michel Temer, que encontra-se mergulhado em denúncias de corrupção que atingem o próprio Presidente (primeiro na história da República a ser denunciado por crime em pleno mandato), implementa uma agenda de reformas que atacam os direitos dos trabalhadores brasileiros.

A crise está sendo jogada nas costas dos mais pobres e dos assalariados. Quem está pagando está conta somos nós que vivemos do trabalho. Temer e seus aliados já conseguiram aprovar o congelamento dos investimentos sociais por 20 anos, o que afeta diretamente a qualidade de serviços públicos como a saúde e a educação; passar a reforma do ensino médio, que rebaixa ainda mais a educação nesta etapa de ensino; autorizar a terceirização irrestrita, que na prática acaba com os concursos públicos e precariza ainda mais o trabalho, entre outras iniciativas regressivas.

Mas a agenda de retirada de direitos não para por aí! Duas reformas propostas pelo governo golpista de Temer afetam direta e brutalmente os trabalhadores.

A reforma trabalhista visa o desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de direitos duramente conquistados ao longo de décadas. A proposta de que o negociado se sobreponha o legislado dá um fim a legislação trabalhista. Jornada de trabalho semanal de 48 horas, sem nenhuma garantia de aumento salarial; jornada de trabalho diárias de 12 horas; a regulamentação do trabalho intermitente; intervalo de almoço de apenas 30 minutos; e a possibilidade de gestantes trabalharem em locais insalubres são algumas das medidas que, segundo os defensores desse pacote de maldades, visam “modernizar” a legislação trabalhista.

A reforma da previdência é outro ataque direto aos trabalhadores. A proposta quer impor a idade mínima de 65 anos para todos, inclusive trabalhadores rurais, estabelecendo 49 anos de contribuição para garantir 100% do valor de benefício da aposentadoria; aumentar contribuição mínima de 15 para 25 anos; e indicar que as pensões por morte poderão ter valores menores do que um salário mínimo. Ou seja, na prática milhões de trabalhadores brasileiros perderão o direito de se aposentar.

Em um cenário de duros ataques surge a resistência dos que se opõem às reformas e as políticas anti-povo de Temer e seus aliados, que só visam atender os interesses dos grandes capitalistas. Diversas mobilizações e lutas vem ocorrendo por todo o país. Após muito tempo de inércia a classe trabalhadora voltou com força ao cenário político.

E os trabalhadores e movimentos sociais de Araranguá e região tem participado de forma intensa das jornadas de lutas articuladas nacionalmente. Desde o final de 2016, após a consumação do golpe de estado que levou Temer ao poder, sindicatos representativos de diversas categorias de trabalhadores, movimentos sociais e estudantis têm organizado-se em torno de pautas comuns e unitárias em defesa dos direitos sociais. Fruto dessa articulação nasceu o Fórum Sul Catarinense de Lutas, que vem se consolidando como um importante espaço democrático para a articulação e aglutinação das lutas populares na região.

No dia 28 de abril, na primeira greve geral chamada no país após 21 anos, ocorreu um dos maiores atos de rua da história da região. Mais de duas mil pessoas saíram às ruas de Araranguá para manifestar o seu repúdio ao pacote de reformas de Temer. No Ocupa Brasília, em 25 de maio, estudantes araranguaenses estiveram presentes na capital federal e resistiram contra a dura repressão policial. O jovem Vitor converteu-se em uma referência de coragem e combatividade da juventude. No dia 30 de junho, em nova data de greve geral, importantes categorias paralisaram suas atividades e  novos atos ocorreram no centro de Araranguá e na BR 101.

As lutas não param por aí. Enquanto seguirem os ataques aos direitos dos trabalhadores haverá resistência!

Rodrigo Lima é cientista social e mestre em Sociologia.

Postagem original em: https://blogdorodrigolima.wordpress.com/2017/07/07/ararangua-tambem-resiste-as-reformas-de-temer/

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Nota | Esse post foi publicado em Araranguá, Opinião e marcado , , , . Guardar link permanente.

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