Memória local do golpe

Por PCB Araranguá

O dia 13 de março de 2016 marcou profundamente a história recente do país. Nesta data a classe média tradicional e outros segmentos sociais cooptados pelo discurso golpista foram às ruas defender o que eles denominavam de “Impeachment” de Dilma Rousseff, como a grande solução dos problemas sociais brasileiros, principalmente da grave crise econômica que só tem se aprofundado.

Esse movimento, dirigido por um núcleo rentista (interno e externo), com o qual se unificaram setores ligados ao capital produtivo e vocalizado pela Rede Globo e outros canais de comunicação tradicionais, conseguiu desestabilizar o governo de Dilma Rousseff, que apostando na conciliação, na institucionalidade e implementando um programa de arrocho fiscal antipopular, acabou isolado e tronou-se presa fácil para a sanha golpista.

O PT sucumbiu a própria lógica que criou, ao ter fortalecido em seus governos os capitalistas (em seus diferentes setores), aliando-se a figuras como o usurpador Michel Temer e a partidos como o PMDB, e desarmando a classe trabalhadora a partir de uma política de conciliação de classes que só reservou migalhas para os setores populares.

O golpe de 2016 não foi um ataque a Dilma, a Lula e ao PT. Foi e é um ataque sistemático a classe trabalhadora, que vê os direitos conquistados através de décadas de luta e mobilização serem surrupiados em um prazo tão curto de tempo.

Portanto, uma ano após a marcha golpista, que ocorreu em inúmeras cidades do país e num cenário de ataques sucessivos aos direitos dos/as trabalhadores/as (como o exemplo da reforma da previdência), é importante disputar a memória coletiva, para que não caia no esquecimento que o Golpe de 2016 foi suportado por setores sociais, partidos políticos e personalidades que hoje silenciam (por consentimento), aos ataques disferidos contra o povo brasileiro.

Em Araranguá, o golpe teve apoio político e social. No dia 13 de março de 2016, a micareta golpista contou com a participação e o apoio de centenas de araranguaenses. Dirigidos por alguns indivíduos, que por mais que procurassem se esconder atrás da bandeira “apartidária” e das suas camisas da CBF, fazem parte dos partidos tradicionais de direita que dominam a vida política municipal há muitos anos. Não é a toa que muitos dos lideres do movimento golpista lançaram candidaturas nas eleições municipais de 2016.

Os “cidadãos de bem” afirmavam: “estamos nas ruas contra a corrupção”, “vamos mostrar nossa indignação”, “não toleramos mais a roubalheira”. O que se vê após o golpe e as sucessivas denúncias e acusações contra  governo Temer e seus apoiadores é o ensurdecedor silêncio das panelas.

A mídia regional também cumpriu seu papel. Uma revista local divulgou em uma de suas capas o evento do dia 13 de março, servindo como uma espécie de panfleto de convocação para  a marcha, jornalistas tiraram fotos efusivas com líderes da micareta golpista. Nada mais “imparcial”.

A principal rádio local através do seu editorial do dia 14 de março afirmava que o movimento “havia nascido no seio do povo” (como se a massa dos manifestantes não fosse manipulada pela Rede Globo e os setores tradicionais da mídia) e bradava: “o movimento não tem nada a ver com Golpe”, “o povo foi às ruas cobrando seriedade com a coisa pública”, “a partir de ontem os políticos que desejarem continuar na vida pública terão de rever conceitos e mudar comportamentos”. Não foi bem isso o que se viu no país.

O PT local, que contava com o prefeito da cidade na época, pouco ou nada fez para resistir aos ataques desferidos localmente (numa esperança de preservar o governo e descolar-se do processo que ocorria nacionalmente). As demais forças do campo progressista não tiveram força e capacidade de mobilização para contrapor a onda conservadora.

O resultado está aí. O golpe que se aprofunda e que abre a cada dia brechas para um estado de exceção e de restrição de direitos. Desenha-se ainda que timidamente uma rearticulação dos setores populares e classistas na cidade, além da importante resistência estudantil e da juventude como se viu em atos de rua e ocupações. Há sinais de resistência.

Aos golpistas fica o recado: A história não os absolverá!

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