Nota do PCB-SC sobre as eleições municipais em Santa Catarina

popAs eleições municipais de 2016 ocorrem no marco da crise econômica, política e social pela qual atravessa o país. O sistema político brasileiro, no contexto da democracia burguesa, aprofunda a concentração do poder nas mãos da burguesia e consolida um modelo excludente e oligárquico, no qual a democracia de mercado é a forma pela qual os partidos que defendem a manutenção da ordem se consolidam no poder, e que, com pequenas nuances, compartilham de um mesmo programa: a manutenção e defesa da sociedade capitalista.

O que assistimos no atual processo eleitoral é um desinteresse e uma desilusão dos setores populares e da classe trabalhadora pelos rumos que os pleitos vem tomando nos diferentes municípios. E esta visão tem os seus motivos.

Estas eleições são fruto da contrarreforma eleitoral, liderada por Eduardo Cunha em 2015. Tal contrarreforma consolidou-se no bojo das bandeiras levantadas pelo PT de reforma política, uma pauta que serviu apenas como forma de dissuadir as manifestações populares de junho de 2013, e que na prática serviu para a direita, que contou com o voto oportunista de partidos como o PT e o PCdoB, aprofundar uma lógica antidemocrática no processo eleitoral.

O que já era ruim para os partidos do campo da esquerda, ficou pior. A redução do tempo de rádio e TV, a exclusão dos debates, as restrições de utilização das redes sociais e a redução do tempo de campanha favoreceram amplamente as grandes máquinas partidárias  e os velhos e conhecidos caciques e figurões eleitorais. Tudo indica que haverá uma inflexão ainda mais conservadora nos “representantes” que serão eleitos para os próximos mandatos.

Outro fator importante foi o retrocesso político que o Partido dos Trabalhadores e seus aliados produziram para a esquerda em geral e para os movimentos sociais combativos. Ao vender a ilusão da conciliação de classes e reproduzir as velhas práticas dos partidos conservadores o PT acabou por produzir um processo de despolitização e desmobilização que afeta diretamente os projetos da esquerda combativa e socialista que defendem uma alternativa de ruptura com o sistema capitalista.

Em Santa Catarina, estado eleitoralmente conservador, o processo de falência do PT e de consolidação e avanço das forças conservadoras se apresenta de forma muito clara. Sete partidos que representam os interesses das elites econômicas (de forma mais aberta ou disfarçada) são responsáveis por 89% das candidaturas majoritárias nas cidades catarinenses (PMDB-PP-PSD-PT-PR-PSB-PSDB)[1]. O PT sofreu uma queda de 38% das suas candidaturas a prefeito e vereador, com relação a 2012, sendo que muitos dos ex-petistas debandaram em massa para partidos do tradicional campo conservador, o que revela o caráter e o grau de degeneração que chegou o Partido dos Trabalhadores. Contrariando o discurso de Golpe o PT aliou-se aos partidos que votaram a favor do impeachment de Dilma Rousseff em cinco das vinte principais cidades catarinenses[2].

O PCB participa ativamente do processo eleitoral na cidade de Criciúma, onde contamos com o camarada Rodrigo Maciel como vice-candidato a prefeito, compondo com os companheiros do PSOL, que apresenta o nome do companheiro Odelondes de Souza como candidato a prefeito. Já nas eleições proporcionais apresentamos o nome da camarada Valdelir Luiz, representando uma plataforma comunista para construir um mandato popular e das/trabalhadoras/as.

O PCB também lançará, nos municípios nos quais está organizado, notas políticas através das quais apresentará programas de lutas e de bandeiras para a construção do Poder Popular, para além das eleições.

Nos municípios onde os companheiros do PSOL lançaram candidaturas que dialogam com as demandas da classe trabalhadora e que apresentam alianças no campo da esquerda, não obstante determinadas divergências pontuais, orientamos o voto nos companheiros e companheiras Psolistas.

Contudo, chamamos atenção para as alianças e o caráter que vem adquirindo a campanha do PSOL em importantes cidades do Estado. Em Florianópolis, o PSOL aliou-se ao PV e a REDE, partidos que têm defendido uma pauta claramente neoliberal na esfera nacional e que invariavelmente coligam-se com partidos conservadores. E em Blumenau e  Balneário Camboriú aliou-se respectivamente ao PCdoB e ao PT, partidos que nas esferas estadual e federal têm realizado diversos ataques aos direitos do povo trabalhador. Tratam-se de alianças de caráter eleitoreiro, na qual o PSOL prioriza a busca de votos entre os setores médios, distanciando-se assim da construção de um programa popular para estas cidades, onde as/os trabalhadoras/es tenham o real protagonismo. Nestes municípios e nas cidades onde os partidos da ordem hegemonizam o processo eleitoral, indicamos o voto nulo para as eleições majoritárias e proporcionais.

Nós do PCB não construímos nenhum tipo de ilusão com os processos eleitorais. Entendemos que é importante participar dos pleitos, mas sempre estabelecendo uma forte denúncia contra o sistema capitalista, e sem reforçar a tese de que é possível alterar ou superar o sistema capitalista pela via eleitoral e institucional.

Para o PCB, a política não se esgota no voto, não se limita à época das eleições. Os trabalhadores devem fazer política o ano todo, organizando-se, lutando e debatendo tudo que lhes diz respeito como o orçamento público, a educação, a saúde, os transportes, a cultura, a assistência social, a reforma urbana e agrária, a preservação ambiental. E principalmente uma nova sociedade, sem explorados nem exploradores.

 

Fora Temer!

Pelo Poder Popular!

Pelo Socialismo!

11214052_643934159041324_6835298544806458493_n

Partido Comunista Brasileiro

Comitê Regional de Santa Catarina

 Setembro de 2016.

[1]              BOSCHI, Upiara; PEREIRA, Victor. Eleições 2016: candidaturas mostram novo mapa partidário em Santa Catarina. Diário Catarinense. [citado em 2016 set 19]. Disponível em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2016/08/eleicoes-2016-candidaturas-mostram-novo-mapa-partidario-em-sc-7301746.html

[2]              PEREIRA, Victor. PT e rivais como PSDB e PMDB são aliados em cinco das 20 maiores cidades de SC. Diário Catarinense. [citado em 2016 set 19]. Disponível em: http://dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2016/08/pt-e-rivais-como-psdb-e-pmdb-sao-aliados-em-cinco-das-20-maiores-cidades-de-sc-7355233.html

 

Anúncios
Nota | Esse post foi publicado em eleições 2016, PCB, Santa Catarina e marcado , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s