Nota do Comitê Municipal do PCB em Florianópolis sobre as Eleições Municipais/2016

pcbNota do Comitê Municipal do PCB em Florianópolis sobre as Eleições Municipais/2016

Não há possibilidade de vida no sistema político brasileiro. Não há esperanças em processos eleitorais viciados e excludentes dentro desse sistema. Ali não reside a esperança dos trabalhadores por sua emancipação, sua libertação e por sua consciência. Todas as apostas neste sistema fracassarão mais cedo ou mais tarde. A conta dessa aposta quem pagará será a classe trabalhadora, que, além de ficar sem representantes, sofrerá perdas de direitos e perda de garantias. Ao participamos de tal jogo, sem guardar a vigília necessária e sem ter como horizonte a organização dos trabalhadores, legitimamos um processo antidemocrático e que penaliza os mais pobres e os trabalhadores.

Isso colocado, é preciso dizer que no nosso campo político o processo eleitoral vigente é limitado e viciado na sua origem. É preciso dizer que “o sistema eleitoral privilegia de sobremaneira os partidos da ordem, com regras adequadas para este fim, que tentam restringir ao máximo o acesso dos partidos comprometidos com a classe trabalhadora à mídia, ao financiamento da campanha eleitoral e, portanto, a própria conquista de mandatos parlamentares. Daí parlamentos burgueses não expressarem a correlação de forças existente na sociedade, inflando a presença de parlamentares das classes dominantes, em geral constituindo a grande maioria.” (Resolução 243 PCB).

A tarefa da nossa organização é usar o processo de eleição burguesa para fazer essa denúncia, apontar para as demais organizações e para os trabalhadores que esse caminho é sem vida e sem possibilidade de representar de fato os anseios da classe trabalhadora. Assim, nossas escolhas por participar de qualquer processo eleitoral se dão em primeiro lugar por essa concreta possibilidade: promover a tomada de consciência do trabalhador para sua organização, sua emancipação e sua libertação. Não alimentamos a esperança na perspectiva eleitoral. Não compactuamos com falsas promessas de representação. O parlamento é somente uma voz rouca, uma voz tímida e baixa na multidão.

Nas eleições municipais deste ano, temos o velho e surrado roteiro: as oligarquias escolhem seus candidatos, valendo-se de sua hegemonia econômica, impondo ao eleitorado como a salvação única e verdadeira para a crise. Esconde que a crise é mais profunda, é do sistema capitalista. Apresentam-se como gestores austeros. Apresentam-se como salvadores. Iludem a classe trabalhadora com promessas de soluções milagrosas. Negociam o loteamento da coisa pública entre seus financiadores e seus pares, para cada vez mais mergulhar no poder.  Aqui mais uma vez afirmamos: não há vida nessa velha política.

Outros candidatos, fora deste roteiro de horrores traçado pelas oligarquias, se prestam a servirem de conciliadores. Estes se apresentam como diferentes, como alternativos. Em seus discursos plastificados, excluem das plataformas e projetos eleitorais a luta dos trabalhadores. Negam a origem da crise, rebaixam o discurso a um problema de gestão e se alinham a velha ordem no apaziguamento da luta de classe. São laranjas a serviço dessa velha ordem, iludem os trabalhadores com coligações e promessas de algo que não acontecerá. Nascem mortos e comprometidos com o sistema capitalista, com o sistema de exclusão.

Não há ilusão. A escolha dos candidatos segue o enredo: “o principal critério é a confiança de que vão assegurar e fortalecer os fundamentos do capitalismo. Nunca escolhem apenas dois; é preciso um ou mais, como reserva, para o caso de inviabilização, por qualquer motivo, de uma das candidaturas. Para manter a hegemonia, contam com a divisão favorável do tempo de televisão, financiamento privado milionário e espaço privilegiado na mídia empresarial” (nota política PCB, 21 de Setembro 2014).

Dito isto, paira sobre nós a nuvem da desconfiança. Nenhum dos candidatos inspira a mínima confiança. Nenhuma das candidaturas acena para os anseios da classe trabalhadora. Repetem como papagaios o velho discurso de gestão técnica e de projetos que não alteram a estrutura de poder. O resultado é previsível: o vitorioso não poderá mover uma pedra na edificação pela garantia dos direitos dos trabalhadores. Muito pelo contrário, veremos mais uma vez o rebaixamento desses e o favorecimento das velhas e gordas oligarquias. “Governará com e para aqueles que pagaram sua campanha, que lhe abriram os espaços e vierem a garantir a governabilidade” (nota política PCB, 21 de Setembro 2014).

Por fim, conclamamos a todos os trabalhadores para a boa luta. Para lutar por moradia, por mais educação, por saúde, por trabalho e renda. Em especial, lutar pelo direito à cidade e dela usufruir. Pelos espaços de lazer e cultura, pelas praças e áreas de convivências. Conclamamos para juntos determos o sangramento cotidiano que nos imputam as oligarquias.

Devemos apontar nesse momento que as degenerescências são fatais para nossa luta. Assim, apontamos que coligações eleitorais com partidos da velha ordem só atrasam o processo de tomada de consciência e emancipação da classe trabalhadora. Lamentamos as escolhas dessas siglas por esse equivocado viés.  Apontamos para unificarmos as ações de resistência contra os ataques aos direitos dos trabalhadores. Apontamos para a necessidade de organizarmos o movimento sindical, os movimentos populares e classistas e convergirem em um grande diálogo capaz de potencializar a reorganização os trabalhadores em um bloco e para além da pauta de resistência, unificar as lutas contra o capitalismo e o imperialismo.

Apontamos que nesse momento mais importante que saber quem vai administrar o capitalismo, devemos apontar para superação deste sistema assassino de “gentes” e de esperanças. Como medida imediata devemos nos esforçar no sentido de construir uma grande greve geral que ponha freios nos ataques contra os direitos dos trabalhadores que acontecem nos três níveis de governo.

Quanto ao pleito municipal, o PCB não está participando, não porque se oponha as disputas no terreno eleitoral, embora todas as ressalvas já apontadas, mas por entendermos que no presente momento, em nossa cidade, nossa organização está voltada totalmente para nossa atuação nos movimentos sociais, sindical, estudantil. Ou seja, não nos retiramos da luta, mas entendemos que nosso foco se dá nesse momento na disputa desses espaços e a consolidação da organização dos trabalhadores.

De qualquer forma, apontamos que se faz necessário um projeto político para a cidade, que não apareça somente durante o período eleitoral, mas que contemple as demandas mais urgentes dos trabalhadores. São necessárias melhorias em áreas como saúde, educação, a resolução dos problemas de moradia, que afetam mais de 15 mil famílias em Florianópolis, saneamento básico e um transporte público que atenda as reais necessidades de todos os trabalhadores. Queremos e lutaremos para que Florianópolis seja uma cidade voltada e administrada pelos trabalhadores e trabalhadoras e não para se tornar um grande resort para a burguesia passar as suas férias.

Assim, dentre todas as candidaturas apresentadas às eleições municipais de Florianópolis, evidentemente, que temos aquelas comprometidas totalmente com os setores burgueses como Gean Loureiro (PMDB), Ângela Amin (PP), Murilo Flores (PSB), e também aquelas que apostam no reformismo e na política de conciliação de classes, como a da Angela Albino (PcdoB-PT), que governaram este país nos últimos 13 anos e só solaparam a classe trabalhadora. Mas infelizmente, dentro do campo da esquerda, os companheiros do PSOL, privilegiaram alianças com reconhecidos partidos alinhados à direita e que sempre foram legendas de aluguel, como a Rede de Sustentabilidade e o PV, ou seja, acabaram por rebaixar seu programa político para a cidade, inviabilizando a constituição de uma frente de esquerda. Dada toda essa situação, cabe-nos apontar que essas eleições não têm alternativas viáveis aos trabalhadores e trabalhadoras para que conseguíssemos fazer frente ao projeto do capital, assim indicamos o voto nulo.

O único caminho viável para a classe trabalhadora é organizar-se, e ter a certeza de que o PCB estará em cada trincheira de luta da mesma, na defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, e que o mais importante nesse momento histórico é que consigamos derrotar as reformas trabalhista e previdenciária que nos penalizarão brutalmente; barrar a reforma educacional proposta pelo governo ilegítimo que busca roubar a formação crítica de nossos estudantes, entre tantos outros ataques.

Para barrar o arrocho fiscal, Greve Geral, Greve Geral!!!

Lutar, Criar, Poder Popular !!!

Florianópolis, 29 de setembro de 2016.

COMITÊ MUNICIPAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO EM FLORIANÓPOLIS

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