08 de Março: Dia Internacional de Luta das Mulheres!

Neste oito de março, dia internacional da mulher, esta data será lembrada na mídia e no discurso burguês como apenas outro calendário comemorativo, supostamente instituído pela ONU, como o “dia de todas as mulheres”. Para essa visão hegemônica, o 8 de março será um dia de rosas, presentes (e consumismo!), uma data feita para, no máximo, lamentar as crônicas desigualdades de gênero que persistem na nossa sociedade e de (na prática) estimular um falso e artificial conflito de gêneros, ao distinguir de forma simples e sexista a mulher do homem.

Porém, não é essa a verdadeira História que está por trás do 8 de março.

A origem do Dia Internacional da Mulher está intimamente associada à história das lutas da mulher operária, como na memória de episódios tais como o massacre das operárias de Nova York, que durante uma greve foram queimadas vivas dentro de sua fábrica a mando de seu patrão. A data oficializou-se pela primeira vez no congresso internacional das mulheres trabalhadoras (1921), em homenagem às camaradas russas que, em fevereiro/março de 1917, em plena tirania czarista, cruzaram os braços em luta contra a guerra e a superexploração a que eram submetidas. Seu ato heroico marcaria o início da Revolução Russa, o maior acontecimento político da era moderna e que ergueria o primeiro Estado Operário do mundo. É por isso que, para a mulher trabalhadora como um todo, o 8 de março não é um dia de presentes ou de lamentos. É um dia de luta, e especificamente para nós comunistas, dia de luta internacionalista pelo socialismo.

Assim, fica evidente que, para um mesmo dia, existem duas formas diversas: a promovida pelas mulheres burguesas, que buscam tão somente igualdade de direitos no estado capitalista (na vida privada e pública), e a das trabalhadoras, que lutam pelo fim da exploração do trabalho das pessoas (independente de seu gênero) e pela sua livre associação em uma sociedade sem exploradores/as nem explorados/as.

Nós, comunistas, ainda não somos tantas na luta pelo socialismo. A sociedade capitalista, ao nos tornar objeto frágil, impede que nós mulheres enfrentemos organizadas, ombro a ombro com os homens, esta sociedade de exploração, de opressão e desigualdades salariais, que está mais presente do que imaginamos. Santa Catarina é hoje o Estado brasileiro com a maior desigualdade de distribuição de salários entre homens e mulheres, fazendo da mulher catarinense a fração da força de trabalho mais discriminada do país! Não se trata de uma questão de “desqualificação profissional”, mas sim de uma sociedade onde o capital busca intensificar a exploração através da divisão sexista do trabalho. Portanto, é uma questão de fundo não só ideológico, mas principalmente de relações sociais em um modo de produção que tem por base a propriedade e o trabalho assalariado.

Assim a discriminação da mulher ultrapassa o mero assalariamento, está subordinada a um modo de produção da sociedade, que oprime e explora a classe trabalhadora em geral e reproduz a discriminação da mulher nos mais diversos espaços de sociabilidade da família, da maternidade (que é imposta a mulher) a vida dos cuidados domésticos, à escolarização/trabalho (onde professores/chefes se utilizam da hierarquia de poder impor determinadas relações e exigências) como expressão à legitimação moral que pretende esconder o concreto. Portanto, não é por decreto, como dizem algumas feministas, que as relações sociais entre homens e mulheres serão aprimoradas, mas somente uma transformação profunda nas relações de trabalho e de educação.

Mas não nos basta somente a igualdade salarial e de direitos se todas estamos exploradas e oprimidas por relações sexistas e de violência. Nossos corpos, desejos, nossa vida privada são sempre invadidas pela violência da sociedade machista patriarcal, que faz do homem um ignorante sobre seu corpo e desejos e criando nele uma falsa superioridade.

Basta! Nossa luta não é contra os homens, mas sim contra a forma capitalista de dividir o trabalho e educar as pessoas! Lembre-se mulher, se ser mulher nos une, a classe nos separa!

Nós do coletivo classista feminista Ana Montenegro em Santa Catarina chamamos a todas as pessoas que também sintam que é somente na luta organizada que podemos nos fazer o novo no cotidiano, nas lutas estudantis e sindicais, olhando sempre a frente e nos transformando na luta pelo comunismo!

Ousar lutar ousar vencer!

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Até a vitória, sempre!
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