Muro de Berlim: a história que não é contada!

Nestor Nuñez Dorta

O que não foi dito sobre a queda do Muro de Berlim? Quando a Alemanha vive dias de “celebração”, vale a pena recontar a história…..

Com a desfaçatez tecnológica, midiática e verbal do qual são capazes poderosos para disfarçar as verdades e tentar impor suas versões, foi celebrado na Alemanha os 25 anos da queda do Muro de Berlim.

Globos luminosos de neon recordaram o traçado original da muralha sendo expostos neste 9 de novembro como uma simbólica recordação do sucesso, enquanto os discursos de ocasião versaram – como era de se esperar – em torno da pretendida vitória da “liberdade e da democracia” sobre os “regimes totalitários” e as “superadas ideias comunistas” representados no imaginário imperialista pela extinta União Soviética e o dissolvido campo socialista europeu.

Tudo fluiu conforme o programado, incluindo, obviamente, o desaparecimento das questões objetivas do contexto relacionado a existência da barreira de concreto e cercas que durante décadas dividiu Berlim.

É que quase ninguém – e alguns com toda má intenção – se ocupou de lembrar que a verdadeira origem do muro que simbolizou os perigos reais de destruição do gênero humano, impulsionados pela Guerra Fria, foi uma exclusiva criação de Washington e seus aliados ocidentais diante da alternativa que, apesar dos seus erros e desatinos, representava naqueles anos Moscou e as nações socialistas do Velho Continente.

Muito poucos relembram que se anos antes a Alemanha Nazista chegou a dominar quase todo território europeu, foi graças a anuência imperialista, que lhe destinou o papel de enterrar o primeiro estado de operários e camponeses da história, surgido na antiga Rússia em 1917 com a Revolução de Outubro.

Que uma vez iniciado o conflito e o ataque nazista a URSS em 1941, apesar da obrigatória aliança antifascista com o Kremlin, os aliados ocidentais demoraram intencionalmente a abertura de uma segunda frente continental a espera do desgaste mútuo entre germânicos e soviéticos, e que essa decisão apenas se concretizou quando o Exército Vermelho converteu em irreversível sua marcha vitoriosa ao oeste, até o coração da Berlim fascista.

Que após a derrota da Alemanha em maio de 1945, apenas quatro anos depois, em 1949, Washington e a Europa Ocidental instauraram a belicista Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), para “frear a influência comunista” global e que contra a URSS e os estados socialistas europeus foram colocados em prática incontáveis projetos subversivos e agressivos, mediante propaganda de rádio, infiltração de sabotadores, sequestro de aeronaves, espionagem e provocações fronteiriças, entre outras armas do conhecido arsenal desestabilizador imperialista.

Que essas ameaças tiveram de ser respondidas pelos destinatários – como é obvio – com medidas defensivas contundentes, como a criação em 1955 da aliança militar denominada Pacto de Varsóvia, o desenvolvimento nuclear soviético, e no caso concreto da sempre conflitiva fronteira berlinense, com a construção do muro divisório em 1961.
De forma que a muralha cujo desaparecimento se projeta hoje universalmente pela propaganda direitista como uma sonhada vitória do “mundo livre” sobre a dissolução da “cortina de ferro”, teve suas reais origens na eterna perseguição imperialista contra tudo que se oponha aos seus interesses de dominação.

E, enquanto os festejos e os louvores recorrem neste novembro as telas de televisão do planeta, tampouco se fala dos muros que não permitem os cubanos completar sua integridade territorial com a recuperação da base naval ilegal de Guantánamo, não se faz referência a vala quilométrica que separa a fronteira norteamericana com o México, nem tampouco as vergonhosas ameaças com as quais Israel sionista cerca o território palestino e pretende imobilizar a população árabe.

Demonstram, estes últimos exemplos, de que em um mundo cercado de interesses violentos e malintencionados, é uma condição essencial demandar e buscar a objetividade se queremos ser exatos e justos em nossos critérios e apreciações.

O contrário não é mais do que fazer o jogo de quem está prestes a cortar as incomodas gargantas.

Tradução: Rodrigo Lima

Fonte: http://www.cubahora.cu/del-mundo/refrescar-la-memoria

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