Nota do Comitê Regional do PCB – Santa Catarina

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

Crise da segurança em SC: o povo exige mais segurança sem aumento da repressão!

(Nota do Comitê Regional do PCB – Santa Catarina)

O crime do rico a lei o cobre

O Estado esmaga o oprimido

Não há direito para o pobre

Ao rico tudo é permitido.

Passados três meses da primeira onda de ataques do crime organizado em Santa Catarina, nova crise da segurança pública volta a expor o povo catarinense ao caos e à barbárie, pondo em xeque a capacidade do governo em garantir segurança à população. Desde o começo, o governador Raimundo Colombo (PSD) deu lições de como não fazer para combater o problema. Durante a primeira onda de ataques em novembro tapou os olhos declarando que “não há crime organizado em SC”. Só buscando preservar sua imagem política em prejuízo da própria segurança do povo, somente agora, após duas semanas da segunda onda de ataques, que ele resolveu enfim pedir ajuda federal! Do governo, o povo também aguarda impaciente a diversas respostas: os ataques são mesmo obra de uma única organização criminosa? E partem de dentro ou de fora dos presídios? Se é só de dentro, porque tais responsáveis, supostamente sob custódia do Estado, em todos esses meses ainda não foram sequer identificados? Isso tudo é incompetência do governo, ou há algo mais que nos escondem? E o que querem os criminosos que movem tais ataques? Para piorar, a nossa mídia local, como sempre submissa ao poder, tem visivelmente se furtado do seu papel de apontar toda a omissão e irresponsabilidade do governador nesta crise e de cobrar respostas a tais perguntas.

Outro aspecto dessa crise que a imprensa pouco tem enfatizado é o drama do povo trabalhador que sofre em meio ao fogo cruzado. Já normalmente sobrecarregado e estressado, o trabalhador da segurança pública (polícia, agentes prisionais, etc.) vê se multiplicarem o perigo e a pressão da sua profissão. Muitos soldados da PM já cumprem jornadas diárias de 18 horas, enquanto os policiais civis do Estado não têm aumento no quadro de efetivos há trinta anos! Isso apesar da criminalidade ter aumentado 180% na última década! Também o trabalhador do transporte coletivo, na mira direta dos ataques, mobiliza-se para não servir mais linhas sem garantias de segurança, justa reivindicação que deve ser apoiada da mesma forma que o pedido dos professores da rede estadual de adiamento da volta às aulas. Defendemos também o direito dos trabalhadores do comércio e demais setores afetados pela falta de transporte a resistirem ao assédio moral de seus patrões, que por pura ganância exigem do trabalhador pontualidade e cumprimento integral das jornadas de trabalho como se nada estivesse acontecendo. Já a todos nós, com a destruição de diversos ônibus, há o real perigo dos patrões imporem aumentos exorbitantes nas tarifas para que o povo trabalhador pague integralmente os estragos, já que nem mesmo as companhias seguradoras têm assumido o prejuízo.

Porém, apesar da evidente parcela de culpa das autoridades do atual e dos anteriores governos, reconhecemos que as raízes do problema vão mais fundo, são um problema nacional e do próprio sistema capitalista que vivemos. Se quisermos uma real solução para o constante problema da segurança pública, e não apenas “parar os ataques”, primeiro precisamos nos perguntar o que há de errado em nossa sociedade para que dela surjam homens capazes de perpetrar tamanha barbárie. O fato é que vivemos em uma sociedade doente, doente da miséria e da injustiça, onde a falta de ocupação e de perspectivas para a nossa juventude, somadas à desigualdade, à exploração e a uma cultura de competição e individualismo gerados pela lógica capitalista do “cada um por si”, lógica que os sucessivos governos federais só têm trabalhado para aumentar, desagregam o tecido social lançando as pessoas primeiro às drogas e ao crime, e a seguir à prisão em um sistema carcerário tão brutal que converte “ladrões de galinha” em assassinos, verdadeiras fábricas de marginais, de forma que o próprio Ministro da Justiça, José Cardozo, declarou que preferiria morrer do que ser encarcerado nas “medievais” prisões brasileiras. A lógica não poderia ser mais crua: trate um ser humano como animal que é como animal que ele agirá! Por conta disso, nós do PCB sempre nos oporemos à tendência, comum em épocas como essa, de se clamar por mais violência estatal como resposta à violência do crime. Precisamos sim de mais segurança pública, mas é preciso ter clareza que fechar os olhos para as raízes sociais do crime, tornando nossa sociedade tão somente mais policiada e vigiada, jamais trará a verdadeira paz com justiça social, pelo contrário. Pois não tenhamos ilusões, o primeiro a sofrer com o recrudescimento da repressão policial sempre será o povo trabalhador.

– Por um sistema prisional que reeduque e recupere os presos! Chega de fábricas de marginais!

– Toda solidariedade aos trabalhadores! Em defesa dos trabalhadores do transporte, da segurança e da educação! Abaixo o assédio moral imposto ao trabalhador afetado pela falta de transporte!

– Abaixo o recrudescimento da repressão! Polícia não é pra trabalhador e estudante!

19 de fevereiro de 2013.

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Até a vitória, sempre!
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