Nota da UJC

Crédito: Fábio Dutra/Frame/Estadão conteúdo

O domingo de sol mais cinza que Santa Maria já viveu

(Nota política da UJC)

Na madrugada deste domingo (27/01/2013), sons de sirene rasgaram os céus de Santa Maria. Os telefones celulares tocavam aflitos em busca de notícias. Amigos e famílias desesperados tentavam localizar frequentadores (as) da Boate Kiss, principalmente estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Canais de televisão, rádios e mídias sociais foram sacudidos por informações cada vez mais trágicas. O incêndio da Boate Kiss transformou um domingo de sol no dia mais cinza que a nossa querida cidade de Santa Maria já viveu. A tragédia se tornou manchete no mundo inteiro.

São 231 pessoas mortas e 117 hospitalizadas. É a segunda maior tragédia do gênero da história brasileira, a quinta maior tragédia se considerados também os acidentes aéreos e os desastres naturais do país. Está entre as 3 maiores tragédias em casas noturnas do mundo.

A UFSM foi duramente afetada, mas a dor direta da perda de um (a) familiar, amigo (a) ou conhecido (a) não se restringe à Santa Maria, o conjunto dos estudantes da UFSM é composto por pessoas de vários municípios do Rio Grande do Sul e de outros estado, como Santa Catarina.

A cena dantesca ilustrada nas manchetes dos jornais e nas redes sociais, a comoção no Centro Desportivo Municipal, a névoa invisível na qual a cidade está mergulhada, nada é suficiente para ilustrar o horror vivido neste trágico início de ano.

Neste momento é fundamental a mais ampla e irrestrita solidariedade às pessoas feridas, familiares, amigos e demais pessoas afetadas. Todo apoio é importante, desde ajuda material ao apoio psicológico.

É impossível não levantar inúmeros questionamentos sobre as condições de funcionamento da empresa e as responsabilidades (públicas e privadas) na garantia da segurança devida. Segundo o Corpo de Bombeiros, a boate teria capacidade para 1000 pessoas. As informações sobre a quantidade efetiva oscilam de 1000 a 2000 pessoas, na melhor da hipóteses a boate estava com público máximo. O alvará de funcionamento estava vencido desde agosto de 2012. A única saída estreita dentro do espaço labiríntico da boate era inadequada para evacuar as pessoas em caso de incêndio, enquanto asnormas internacionais atestam a necessidade de pelo menos duas portas de emergência além da porta de entrada. Os extintores não funcionaram, segundo informação divulgada na imprensa, os extintores não eram substituídos há 3 anos, enquanto as normas exigem que sejam substituídos a cada 12 meses. O sinalizador (“marca registrada” da banda) jamais poderia ter sido permitido dentro da boate, onde corretamente não é permitido fumar, exatamente pelo risco de incêndios, dada a característica inflamável das placas do isolamento acústico. O próprio isolamento acústico poderia se tornar resistente à combustão. Frequentadores delatam que shows pirotécnicos eram frequentes na boate.

Sobreviventes relatam que pelo menos uma das portas ficou por algum tempo obstruída, tempo precioso que poderia ter salvado muitas vidas. Há evidências de que a equipe de segurança não estava preparada para priorizar a evacuação e sim para tentar impedir que o público saísse sem pagar as comandas. Salta ao olhos a valorização do faturamento em detrimento da vida.

O poder público definitivamente não fiscalizou, não garantiu o funcionamento dentro de condições mínimas de segurança. Também é preciso lembrar que as confraternizações ao ar livre são cada vez mais reprimidas e a juventude é confinadas nas “quatro paredes” da “iniciativa privada”.

Uma tragédia que jamais devia ter acontecido deve gerar a consciência capaz de orientar a ação coletiva rumo às soluções que produzam mudanças profundas capazes de garantir que jamais se repita este quadro surreal vivido dolorosamente em Santa Maria.

Quando o lucro é o objetivo central da sociedade, a vida fica em segundo plano. Por isso, esta velha sociedade deve dar lugar à outra onde a prioridade seja a humanidade.

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