Migalhas não tão graúdas!

Migalhas não tão graúdas!

Por Robson Luiz Ceron*

O pensamento hegemônico na esquerda brasileira, de nossos dias, aponta o avanço da economia capitalista brasileira, em um mar de recessão das economias tradicionais (EUA, Europa e Japão), e a conseqüente maior importância do país no cenário internacional, como elementos fundamentais para a superação das desigualdades internas.

Um grande número de socialistas sinceros acredita que estas transformações podem, até mesmo, colocar o país na rota para o socialismo, em uma transição, senão linear, sem grandes conflitos sociais.

Mesmo partindo-se do princípio de que haja melhorias na qualidade de vida do “povão” brasileiro, através de programas sociais, menor índice de desemprego, realce ao salário mínimo, entre outras medidas governamentais, não é possível concordar com este entendimento.

É certo que o avanço de uma economia capitalista nacional pode trazer benesses ao seu povo. Também, que esta economia pode se favorecer da geopolítica para anestesiar as diferenças internas. Mas, o que é obvio e esquecido é que, enquanto forem preservadas e justificadas as colunas econômicas e sociais do capitalismo, o retorno de sua selvageria comum é apenas uma questão de tempo, ainda mais no caso do Brasil, onde nenhuma transformação estrutural ocorreu.

Na Europa, o Estado do Bem Estar Social possuiu um grande caráter de conquista por parte dos trabalhadores (de suas lutas ferrenhas, suas greves, etc.); além disso, ocorreu no conjunto de duas guerras imperialistas-capitalistas devastadoras; e deu-se a partir da situação privilegiada do imperialismo europeu, usurpador das riquezas de outros povos. Embora isso, o “devolva-nos os anéis” que ocorre hoje naquelas terras, principalmente em sua periferia (PIIGS), é prova irrefutável de que, na crise, os capitalistas buscam retomar todas as migalhas graúdas dadas/conquistadas aos/pelos trabalhadores.

Mas, é a empolgação pelas migalhas que sustentam o ânimo de nossos companheiros e companheiras, num “nunca antes neste país” anestesiador, enquanto absolutamente nada de socialismo, seja material ou ideologicamente, é construído.

Ao contrário, hoje no país as “conquistas” capitalistas, irracionais por inerência, são apresentadas como algo positivo para a classe trabalhadora, mantendo-se, assim, todas as estruturas fundamentais internas do sistema. Isso, sem questionar o caráter do desenvolvimento atual (p.ex., a dependência as exportações de matéria-prima que se assiste).

Os dados seriam diferentes com tucalhada, sim. Mas, a estrutura seria a mesma, mudando o tamanho da migalha e a subordinação aos interesses imperialistas estadunidenses.

Temos certeza, o capitalismo brasileiro, capitaneado pela centro-esquerda ou qualquer outra facção da burguesia, não trará benefícios à classe trabalhadora no longo prazo, sendo que as melhorias atuais, confrontadas com as contradições inerentes do sistema, resultarão no lema tático burguês “devolva-nos os anéis” (mesmo estes sendo de bijuterias, como é o caso brasileiro).

Porém, até chegar o momento do fim da distribuição dessas migalhas tupiniquins, algo que ainda pode levar considerável tempo (dado a enorme margem de manobra que o capitalismo possui no país), a realidade faz-se desafio enorme às forças populares e revolucionárias brasileiras: qual a forma de lidar com a situação atual, para que no ascenso das lutas da classe, haja unidade e hegemonia em torno do Bloco Revolucionário do Proletariado, para a Revolução Socialista?

Neste sentido, entendemos que a experiência do KKE, expressa no texto apresentado ao Encontro dos Partidos Comunistas e do Trabalho*, possa ser de grande valia, pois, como afirmam, no momento em que os primeiros sinais da crise se davam, já estavam, ideológica e politicamente preparados, no sentido da construção de um poder operário e popular.

O PCB, em sua última Conferência Nacional, buscou as respostas táticas a esta pergunta, dentro de seu campo estratégico já consolidado.

Contudo, entendemos que a dinâmica da realidade, obrigará a todos, buscarem respostas cotidianas a este desafio para que construamos a única alternativa viável e duradoura para o proletariado, o socialismo com vistas ao comunismo.


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