NOTA POLÍTICA fevereiro 22, 2012
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A POLÍCIA APRESENTA SUAS ARMAS
A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes,
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar
Paralamas do Sucesso

Crédito da imagem: Jornal Tribuna de Navegantes
Barricadas trancando as ruas de acesso ao bairro; fogo em pneus e colchões no centro da cidade, próximo ao Batalhão da Polícia Militar; toque de recolher; PM recebida a tiros; policiais atingidos na perna e na cabeça, este sendo salvo pelo capacete; ocupação militar de um bairro popular; clima de guerra. Não estamos falando do Bairro Pinheirinho em São José dos Campos, ocupado violentamente pela PM de São Paulo no mês passado.
O relato acima é mais um capítulo da truculência policial que se revela no dia-a-dia das comunidades pobres do Brasil. Criminalizadas e cerceadas em seus direitos humanos mais básicos.
O fato ocorreu no Bairro São Paulo, na cidade de Navegantes (SC), localizada 90 km ao norte da capital Florianópolis. O bairro originou-se de uma ocupação popular na década de 1980. Possui uma comunidade com acesso precário a condições dignas de educação, saúde, habitação e lazer. Apenas no ano passado foi inaugurada uma quadra de esportes no bairro, que até então contava apenas com um campo de futebol em condições precárias de uso. Nada incomum em uma cidade onde 38,20% da sua população sobrevivem em condições de pobreza (IBGE/2003).
A comunidade convive com investidas e ocupações constantes da polícia. Em uma dessas incursões policiais, no último dia 16 de fevereiro, um rapaz de 19 anos foi morto covardemente com três tiros pelas costas. Na versão da PM, ele era traficante e teria reagido a abordagem dos policiais, puxando uma arma calibre 22. Porém, segundo os moradores ele era um trabalhador e foi chamado a viatura, em uma espécie de emboscada. Há alguns meses atrás ele já havia procurado a imprensa e o comando da PM de Navegantes para comunicar que vinha recebendo ameaças e sendo perseguido por ter sido confundido com outro rapaz que assassinou um agente prisional.
No dia 17 de fevereiro os familiares e amigos realizaram uma manifestação pacífica pela tarde. Mas o clima de hostilidade promovido pela PM resultou em um conflito armado ao cair da noite. Cerca de 100 policiais cercaram o bairro, com reforço vindo de algumas cidades da região e com a presença da tropa de choque de Florianópolis.
Na bela Santa Catarina, considerada por alguns como a “Europa brasileira” os conflitos sociais e a pobreza tem sido resolvidos pela burguesia catarinense através da mesma receita há décadas: repressão e criminalização dos pobres e dos trabalhadores. Ao contrário do que a polícia e a grande mídia procuram informar, a manifestação não foi uma ação de traficantes, mas sim uma revolta popular em reação a violência policial.
Repudiamos veementemente a ação da PM de Santa Catarina, no Bairro São Paulo em Navegantes. Solidarizamos-nos com os trabalhadores e trabalhadoras que residem no bairro e que são vitimas constantes da repressão policial, o que segundo o comando da PM deve se intensificar, com a ocupação permanente da região.
Contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais!
Abaixo a repressão policial aos trabalhadores!
Comitê Regional de Santa Catarina
Partido Comunista Brasileiro
20 de fevereiro de 2012
O SOCIALISMO DO FUTURO TERÁ AS CORES DAS SOCIEDADES QUE POR ELE OPTAREM fevereiro 12, 2012
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01/02/2012
Nilton Viana
da Redação
“O mundo está num caos em conseqüência da crise global do capitalismo”. Assim, o jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues define o atual cenário mundial. Para ele, a crise atual do capitalismo é estrutural. Segundo o escritor, a crise, iniciada nos EUA, alastrou à Europa e as medidas tomadas por Bush, primeiro, e Obama depois, em vez de atenuarem a crise, agravaram-na. “Os EUA, polo do sistema que oprime grande parte da humanidade, mostram-se incapazes de controlar os colossais défices do orçamento e da balança comercial”.
Brasil de Fato – O mundo vive hoje uma de suas maiores crises financeiras. Que avaliação o senhor faz dessa crise que tem se agudizado principalmente nos Estados Unidos e na Europa?Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Urbano diz que o grande capital pouco alterou as práticas criminosas e fraudulentas que originaram a crise. Para ele, a fatura é paga pelos trabalhadores que tiveram os seus salários brutalmente diminuídos e suprimidas conquistas históricas. Taxativo, afirma que as guerras fazem parte das alternativas imperialistas e que as agressões militares são sempre precedidas de uma campanha midiática de âmbito mundial. Embora avesso a profecias, Urbano acredita que o socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem de acordo com as suas tradições, cultura e peculiaridades de cada uma.
Miguel Urbano Rodrigues – O mundo está num caos em conseqüência da crise global do capitalismo. É uma crise estrutural. Nos países centrais a teoria da acumulação não funciona mais de acordo com a lógica do capitalismo e, na busca de uma solução, os Estados Unidos, polo hegemônico do sistema, multiplicam as guerras contra países do Terceiro Mundo para saquear os seus recursos naturais.
As medidas tomadas pelos governos, a seu ver, resolvem os graves problemas dessa crise? E o agravamento dessa crise, que é estrutural do capitalismo, a seu ver, irá enfraquecer ainda mais o imperialismo?
A crise, iniciada nos EUA, alastrou à Europa. As medidas tomadas por Bush, primeiro, e Obama depois, em vez de atenuarem a crise, agravaram-na. O objetivo foi salvar a banca, as seguradoras e grandes empresas à beira da falência como as da indústria do automóvel. Mais de mil bilhões foram investidos pelo Estado Federal nessa estratégia com resultados medíocres. Um volume gigantesco de dinheiro (os dólares emitidos) foi encaminhado para os responsáveis pela crise, enquanto a principal vítima, os trabalhadores estadunidenses, foi esquecida. Centenas de milhares de famílias perderam as suas casas, e o desemprego aumentou muito em consequência de despedimentos maciços. O grande capital pouco alterou as práticas criminosas e fraudulentas que originaram a crise. É significativo que o atual secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, que goza da total confiança de Obama, seja um homem de Walt Street comprometido com as políticas de desregulamentação que tiveram efeitos funestos.
Na União Europeia, que é um gigante econômico mas um anão político, a estratégia adotada para enfrentar a crise foi diferente. A fragilidade do euro é inseparável do fato de o dólar ser, na prática, a moeda universal cujas emissões são incontroláveis. O Banco Central Europeu não pode imitar Washington.
A crise atingiu primeiro países periféricos, como a Irlanda, a Grécia e Portugal. A Alemanha e a França, que põem e dispõem em Bruxelas, sobrepondo-se à Comissão Europeia e às instituições comunitárias em geral, impuseram a esses três países “políticas de austeridade” orientadas para a redução drástica dos défices orçamentais e a salvação da banca. A fatura foi paga pelos trabalhadores que tiveram os seus salários brutalmente diminuídos, suprimidas conquistas históricas como os subsídios de Natal e de férias, enquanto setores sociais como a Educação e a Saúde eram duramente golpeados.
A Itália e a Espanha encontram-se também à beira de um colapso, na iminência de pedirem à Comissão Europeia e ao FMI uma “ajuda” que agravaria extraordinariamente as condições de vida da classe trabalhadora. Na Espanha o desemprego ultrapassa já os 21%.
A chanceler Merckel e o presidente Sarkosy estão, porém, conscientes de que os efeitos da crise atingem também perigosamente os seus países. O Reino Unido, fora da zona euro, não é exceção; teme igualmente o agravamento da situação.
Neste contexto o futuro do euro e da própria União Europeia apresentam-se sombrios. São a cada semana mais numerosos os políticos e economistas que preconizam a saída do euro de alguns países.
Obviamente, as tensões sociais na contestação ao sistema assumem características explosivas, sobretudo na Grécia, em Portugal, na Espanha e na Itália.
Os EUA e as grandes potências da União Europeia puseram fim às guerras interimperialistas, substituindo-as por um imperialismo coletivo. O senhor poderia explicar como têm se dado guerras?
O imperialismo evoluiu nas últimas décadas para responder à crise do capitalismo. As guerras interimperialistas que na primeira metade do século 20 devastaram a Europa e a Ásia não vão repetir-se; remotíssima essa hipótese. As contradições entre as potências imperialistas mantêm-se. Mas não são hoje antagônicas.
Um imperialismo coletivo – a expressão é do argentino Cláudio Katz – substituiu o tradicional.
Os seus contornos principiaram a definir-se na primeira guerra do Golfo e tornaram-se nítidos com as agressões aos povos do Afeganistão, do Iraque e da Líbia.
Hegemonizada pelos Estados Unidos, formou-se uma aliança tática de que participam o Reino Unido, a Alemanha e a França, além de sócios menores como a Itália, a Espanha, o Canadá e a Austrália, inclusive países da Europa do Leste, ex-socialistas.
| Estadunidenses protestam em Nova York – Foto: Reprodução |
Então é esse bloco imperialista que comanda o mundo hoje e fomenta as guerras?
A superioridade militar e tecnológica do bloco imperialista permite-lhe, com um custo de vidas reduzido, atacar e ocupar países do Terceiro Mundo para saquear os seus recursos naturais, nomeadamente os petrolíferos.
Isso ocorreu já no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Atinge agora a África com a intervenção militar dos EUA em Uganda. O Africa Comand, por ora instalado na Alemanha, anuncia a criação de um exército permanente para o continente africano, previsto para 100 mil homens.
Obama já afirmou que a “ajuda militar” (leia-se intervenção) ao Sudão do Sul, ao Congo e à República Centro Africana depende de um simples pedido a Washington.
As guerras têm sido as saídas para o capitalismo. Com essa crise, teremos novas guerras?
As agressões militares são sempre precedidas de uma campanha midiática de âmbito mundial. A receita tem sido repetida com algum êxito. Para impedir a solidariedade internacional com os povos a serem alvo de agressões previamente planejadas e semear a confusão e a dúvida em milhões de pessoas nos países desenvolvidos, os Estados Unidos e seus aliados promovem campanhas de satanização de líderes apresentados como ditadores implacáveis, ou terroristas que ameaçam a humanidade. A invasão do Afeganistão foi precedida da diabolização de Bin Laden – definido como inimigo número 1 dos EUA – e a guerra do Iraque, da satanização de Sadam Hussein. No caso da Líbia, Kadafi , que um ano antes era recebido com todas as honras em Paris, Londres, Roma e Madri, e tratado com deferência por Obama, passou de repente a ser apresentado como um monstro sanguinário que submetia o seu povo a uma opressão cruel. O desfecho é conhecido: a aprovação pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) de uma “zona de exclusão aérea” para “proteger as populações”. Logo depois começaram os bombardeios de uma guerra que durou sete meses, definida como “intervenção humanitária”. Sabe-se hoje que a “insurreição” de Benghasi foi preparada com meses de antecedência por comandos britânicos e agentes da CIA, dos serviços secretos britânicos e franceses, e da Mossad israelense.
Como o senhor avalia as consequências dessa crise para os países pobres, do chamado Terceiro Mundo?
O custo destas agressões imperiais para os países por elas atingidos tem sido altíssimo. Não há estatísticas credíveis sobre as destruições de infraestruturas e o saque de bens culturais e sobre o número de mortos civis resultante das guerras no Afeganistão, no Iraque e na Líbia. Mas o saldo dessa orgia de barbárie ocidental ascende – segundo grandes jornais da Europa e dos EUA – a centenas de milhares.
A satanização de Bachar Assad e do seu exército gera o temor de que a intervenção imperial na Síria esteja iminente. Mas o grande “inimigo” a abater é o Irã. Motivo: é o único entre os grandes países muçulmanos que não se submete às exigências do imperialismo.
Israel ameaça atacar e incita os EUA a bombardear as instalações nucleares de Natanz. Obama conseguiu que o Conselho de Segurança aprovasse vários pacotes de sanções ao Irã, mas o Pentágono hesita em envolver-se numa nova guerra contra um país que dispõe de uma capacidade de retaliar ponderável. A invasão terrestre está excluída e o bombardeio das instalações subterrâneas de Natanz com armas convencionais poderia, na opinião dos especialistas, ser ineficaz.
O balanço das guerras do Afeganistão e do Iraque não é animador para a Casa Branca. O presidente Obama ao anunciar a retirada das últimas tropas estadunidenses do Iraque sabe que mentiu aos seus compatriotas. Num discurso eleitoreiro, triunfalista, que pode ser qualificado de modelo de hipocrisia, afirmou que os Estados Unidos alcançaram ali os objetivos previamente fixados. Na realidade a resistência prossegue e dezenas de milhares de mercenários substituíram as forças do Exercito e da Força Aérea. Mas qualquer previsão sobre futuras agressões é desaconselhável. Tudo se pode esperar da engrenagem do sistema imperial, comandado por um presidente elogiado como humanista e defensor da Paz quando, na realidade, a sua estratégia de dominação planetária configura uma ameaça sem precedentes à humanidade.
| Gregos se reúnem em manifestação em Atenas – Foto: Mehran Khalili/CC |
Como o senhor avalia o papel de organismos como a ONU, o FMI, o Banco Mundial e a OMC?
O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) são instrumentos do sistema imperial, criados para o servir. Quanto à Organização da Nações Unidas (ONU), há que estabelecer a distinção entre a Assembleia-Geral e o seu órgão executivo, o Conselho de Segurança. A primeira, representativa de quase 200 Estados, é uma instituição democrática, mas as suas resoluções somente produzem efeito se referendadas pelo Conselho de Segurança. Ora este, manipulado pelos EUA, com o apoio do Reino Unido e da França, funciona há muito como instrumento da vontade dos três, até porque a Rússia e a China, os outros membros permanentes, não têm exercido o direito de veto, com raríssimas exceções.
Como o senhor vê os protestos e as mobilizações que têm ocorrido em vários países, na chamada Primavera Árabe, na Grécia e nos Estados Unidos?
Em primeiro lugar é útil esclarecer que a expressão “Primavera Árabe”, muito divulgada pelos governos ocidentais e pela mídia é, por generalizante, fonte de confusão. Os levantamentos populares no Egito e na Tunísia foram espontâneos e inesperados para o imperialismo. Triunfaram ambos, provocando a queda de Hosni Mubarak e de Ben Ali.
No caso da Tunisia, a vitória de um partido islamista moderado nas recentes eleições não representa um problema para o imperialismo. Tudo indica que as relações dos Estados Unidos e os grandes da União Europeia com Tunis serão cordiais como eram com o governo da ditadura.
No Egito tudo permanece em aberto, porque o povo não aceitou o governo dos militares comprometidos com o imperialismo e continua a exigir a sua renúncia.
No Bahrein e no Iémen não houve qualquer “primavera”. Washington e os seus aliados abstiveram-se de criticar os regimes que eram alvo dos protestos populares. No tocante ao Bahrein, base da IV Frota da US Navy, os EUA manobraram de modo a que tropas sauditas e dos Emirados do Golfo invadissem o pequeno país e reprimissem com violência as manifestações.
Os protestos populares na Europa e nos Estados Unidos contra regimes de fachada democrática, que na prática são ditaduras da burguesia e do grande capital apresentam também características muito diferenciadas.
O acampamento inicial dos indignados em Madri funcionou como incentivo a movimentos similares em dezenas de cidades da Europa e dos EUA. Esses jovens sabem o que rejeitam e os motiva a lutar, mas não definem com um mínimo de precisão uma alternativa ao capitalismo.
Inspirado pelos espanhóis, o acampamento de Manhattan, realizado sob o lema “Ocupem Wall Street”, alarmou a engrenagem do poder. A solidariedade de intelectuais progressistas como Noam Chomsky, Michael Moore e James Petras contribuiu para que o movimento alastrasse a muitas cidades.
No caso estadunidense, os protestos foram uma surpressa? Como o senhor analisa a reação do governo dos Estados Unidos a estas manifestações?
A reação da administração Obama foi inicialmente de surpresa. Mas perante a amplitude assumida pelo movimento recorreu a uma repressão brutal. As conseqüências dessa opção foram inversas das esperadas pelo governo. Os acontecimentos de Oakland, na Costa do Pacífico, demonstraram que a contestação é agora dirigida contra a engrenagem capitalista responsável pela crise que afeta 99% dos cidadãos e beneficia a apenas 1% , tema de um slogan que já corre pelo país. A profundidade do descontentamento popular é transparente. Uma certeza: alarma Obama e Wall Street.
Paralelamente aos protestos espontâneos referidos, desenvolvem-se na Europa outros, promovidos pelos sindicatos e por partidos revolucionários.
A greve geral de novembro, em Portugal, e as grandes manifestações de protesto ali realizadas traduziram não só a condenação de políticas de direita impostas por Bruxelas e a submissão ao imperialismo, com perda de soberania, como a exigência de uma política progressista incompatível com a engrenagem capitalista.
É sobretudo na Grécia que as massas exprimem em gigantescas e permanentes concentrações populares a sua determinação de lutarem contra o sistema capitalista até a sua destruição Quinze greves gerais num ano, empreendidas sob a direção de uma Frente Popular na qual o papel do Partido Comunista da Grécia é fundamental, os trabalhadores da pátria de Péricles batem-se hoje com heroísmo pela humanidade inteira.
Frente a esse cenário de crise mundial do capitalismo, qual a alternativa para os povos? Como o senhor vê o futuro da Humanidade?
A única alternativa credível à barbárie capitalista é o socialismo. O capitalismo conseguiu superar desde o século 19 sucessivas crises. Desta vez, porém, enfrenta uma crise estrutural para a qual não encontra soluções. Os EUA, polo do sistema que oprime grande parte da humanidade, mostram se incapaze de controlar os colossais défices do orçamento e da balança comercial. Forjaram um tipo de contracultura monstruosa que pretendem impor a todo o planeta. Mas o declínio do seu poder é transparente e irreversível.
Por si só, as gigantescas reservas de dólares e os títulos do Tesouro norte-americano que a China e o Japão acumularam, estimados aproximadamente em dois mil bilhões de dólares, são esclarecedores da fragilidade da economia dos Estados Unidos, um colosso com pés de barro, hoje o país mais endividado do mundo.
Sou avesso a profecias de qualquer natureza. Mas creio que o socialismo do futuro terá as cores das sociedades que por ele optarem de acordo com as suas tradições, cultura e peculiaridades de cada uma – um socialismo humanizado que abrirá ao homem a possibilidade de desenvolver todas as suas potencialidades e de se realizar integralmente, liberto das forças que o oprimem há milênios.
<QUEM É>
Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português. Redator e chefe de redação de jornais em Portugal antes de se exilar no Brasil, onde foi editorialista principal do jornal O Estado de S. Paulo e editor internacional da revista brasileira Visão. Regressando a Portugal após a Revolução dos Cravos, foi chefe de redação do jornal do Partido Comunista Português (PCP)Avante!, e diretor de O Diário. Foi ainda assistente de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, presidente da Assembleia Municipal de Moura, deputado da Assembleia da República pelo PCP entre 1990 e 1995 e deputado da Assembleias Parlamentares do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental, tendo sido membro da comissão política desta última. Tem colaborações publicadas em jornais e revistas de duas dezenas de países da América Latina e da Europa e é autor de mais de uma dezena de livros publicados em Portugal e no Brasil.
Fonte: Jornal Brasil de Fato
A LUTA DOS TRABALHADORES CONTRA O CAPITAL: O CASO DA TRAMONTO fevereiro 12, 2012
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Crédito da imagem: Caio Cavechini, Carlos Barros
Todos os trabalhadores tentam de alguma forma se sustentar diante das dificuldades da vida, mas a própria empresa Tramonto Alimentos não oferece as menores condições de trabalho assim como um salário digno, alimentação de qualidade e nem um transporte gratuito. A jornada de trabalho é extensa, chegando a quase dez horas diárias, e incríveis cinquenta horas semanais! Além disso, as exigências de produção, a choradeira dos encarregados em garantir os excessivos ganhos de faturamento faz com que ocorram acidentes de trabalho, afastamento temporário e às vezes a demissão sem justa causa.
Os contratos de experiência são extremamente arriscados, adotando a competição para ver quem produz mais, ou melhor: para demonstrar resistência a baixas temperaturas dos setores, a suportar as dores no corpo, o cansaço, as noites de sono mal dormidas em vender toda a força de trabalho para sobreviver. Isso de deve as relações de trabalho que são restritas ao domínio da gerência que fazem parte do idealismo burguês, onde escolhem apenas os melhores, os que tem mais condições, os que demonstram uma falsa vontade de ajudar os que mais precisam de salvação contra esse sistema feroz e destruidor.
As bonificações como cesta básica e prêmios por assiduidade não resolvem as reais necessidades dos trabalhadores que não sabem as verdadeiras opressões que estão sentindo. O processo de trabalho é ofuscado pela precarização dos pedidos de repouso, recusados pelos encarregados, ameaçando suspensão e demissões sem sentido algum. Se revelam verdadeiros ditadores aliando-se a classe patronal de forma mascarada, demonstrando contrários a reduzir a jornada de trabalho, a tratar os empregados como peças do mecanismo forjado, como meros subordinados em obedecer ordens descabíveis e desfavoráveis a nossa condição.
Não podemos esquecer das nossas lutas contra todas essas injustiças. Uma guerra que parece não ter fim, nem sentido. Respiramos um ar desagradável, que não nos mostra o que devemos ser. O que importa é o que o outro tem e não pelo que ele é. Os poucos empregados só são valorizados por hierarquias dominantes, formas enganosas de liderança e enriquecimento de banalidades, enfim, coisas inúteis. Dependemos das incertezas do trabalho para sabermos se seremos felizes ou não. Muitos dizem que é uma questão de escolha, mas nem sempre é assim.
Estamos cercados de escolhas inseguras e sem nenhuma garantia. Temos prazos determinados para finalizar tarefas e não podemos perder nenhum segundo, para não sermos advertidos injustamente e sofremos repressões. Os nossos direitos nos são tirados dia após dia por descontos salariais, pagamento somente nos bancos credenciados, mais capitalistas e cobradores de juros, ressarcidos pelos banqueiros que se alimentam da nossa força de trabalho para evitar a recessão e a crise. Mas será que um aumento de direitos como salário de R$ 901,00 será suficiente para suprir as nossas necessidades? E a cesta básica de R$ 75,00? Ainda sim é pouco, sabendo que não sustenta a luta e não atinge os verdadeiros problemas que afligem todos que trabalham dia-a-dia. Esses direitos não podem ser tirados e nem reduzidos, e a participação dos lucros deve ser acompanhadas e divididas pelos empregados, tirando os patrões fora da jogada.
Por que devemos lutar? Pois chegou a hora de reivindicarmos salários melhores, condições de trabalho decentes, tratamento igual sem oligarquias, planos de carreira e hegemonias, redução da jornada de trabalho e garantia de direitos sociais, cívicos e trabalhistas. Lutar contra a opressão e a exploração do trabalho e construir uma sociedade unificada, avançando nas conquistas e estando com o poder nas mãos!
Base de Araranguá
Partido Comunista Brasileiro



